09/11/2016

Recursos sobre Evidência em Terapia da Fala e Fonoaudiologia

Em qualquer área clínica é importante mantermos-nos actualizados para garantir um serviço rápido, eficaz e de qualidade. É importante, ainda, que seja personalizado a cada cliente.
O termo "prática baseada na evidência" tem estado em voga nos últimos anos e pressupõe a integração dos dados clínicos com a investigação mais recente; isto, para além de pressupor a partilha dos resultados obtidos na sua prática, claro. Para saber mais sobre isto, pode consultar este link.
Existem algumas plataformas que nos ajudam a integrar os resultados das investigações mais recentes na nossa prática clínica, pelo simples facto de reunirem a informação e tornarem mais fácil a pesquisa.
Se conhecerem outros recursos, comentem em baixo!



É uma base de dados que reúne e classifica de acordo com os níveis de evidência as investigações no âmbito da Terapia da Fala. Existe desde 2008 e é gerida por um grupo de terapeutas da fala da Universidade de Sydney. Tem um motor de busca muito interessante e útil - permite pesquisar com base na área, intervenção, população, tipo de estudo, etc. Usa o sistema de classificação de evidência da sua homóloga PEDro-P, para fisioterapeutas.


É uma ferramenta recente que a ASHA disponibiliza. Está organizada por perturbação clínica/doença ou funcional. Reune os documentos (artigos originais, guidelines, revisões sistemáticas, etc) que evidenciam resultados em cada área. Melhor do que isso, é apresentado um resumo compreensivo para cada artigo - o que torna a interpretação dos resultados muito mais rápida (não tem de ler o artigo na integra),
fácil (não tem de ter acesso ao artigo; o "sumo" está já apresentado e pronto a usar) e prática (apresenta as perspectivas dos clientes, sempre que possível).

3. Guidelines


4. Outros sítios

18/09/2016

Fábrica da Voz

25/07/2016

5 Livros fundamentais para um Terapeuta da Fala

Ao longo dos anos vamos construindo a nossa biblioteca. Se existe alguma coisa que prezo são os meus livros. Tenho e tive de tudo: livros que nunca darei ou venderei, até livros que me arrependi bastante de ter comprado.
Hoje mostro-vos os livros de texto (do inglês textbooks) que considero insubstituíveis para a nossa prática. Façam o favor de dar a vossa opinião!

5º - Speech-Language Pathology Desk Reference - Thieme
(Roser, Pearson, Tobey, 1998)


É um livro que, apesar de ser de 1998, apresenta uma recolha de dados normativos e standards da nossa prática. É de fácil consulta e realmente útil. Está organizado por áreas e apresenta esquemas, tabelas, diagramas e outros suportes interessantes. A grande desvantagem é ser antigo e alguns dos dados já não serem actuais.



4º - Fonologia Infantil - Avalaiação, Aquisição e Intervenção - Almedina
(Lima, 2009)

Tal como o título sugere, o livro aborda todos os aspectos em torno da fonologia infantil. A parte mais interessante e útil é a última, em que a autora apresenta estratégias práticas para o trabalho dos diversos fonemas. Apesar de recorrer a autores que começam a estar pouco actualizados, a autora dá primazia à sua perspectiva - nota-se que tem uma grande experiência clínica que passa com sucesso ao leitor!


3º - Tratado de Fonoaudiologia - Roca
(org Fernandes,. Mendes, Navas, 2010)

Foi o meu primeiro tratado e tive-o mal saiu! Como tratado que é, este livro é grande e de carácter essencialmente teórico. Aborda todas as áreas e cada capítulo é escrito pelos melhores autores brasileiros. Tem uma encadernação muito boa e é de fácil consulta.



2º - Treatment Resource Manual for Speech Language Pathology - Cengage
(Roth, 2016)

Já vai na 5ª edição. É um livro fundamental para quem está a iniciar a sua prática clínica. É bom também para quem actua em diversas áreas e não se diferencia tanto. Percorre todas as áreas da nossa actuação e apresenta os diferentes métodos de intervenção para cada uma. Dá sempre exemplos com estudos de caso e fornece materiais como tabelas de registo e outros. Como qualquer livro generalista, não aprofunda algumas áreas de intervenção; também não tem em conta alguns dos procedimentos mais actuais. Muito prático, bom e importante!



1º VENCEDOR
Metodologias de Intervenção em Terapia da Fala - 1º volume (UFP)
(org Peixoto e Rocha, 2009)

Claro que este teria de ser o vencedor! Li-o "de fio a pavio" e foi com a maioria dos seus autores que aprendi a fazer o que hoje faço. É um livro teorico-prático escrito por alguns especialistas portugueses em cada uma das áreas. Contudo, foi escrito a pensar em seguintes edições, pelo que não abordam todas as áreas de interesse da Terapia da Fala.  É obrigatório na biblioteca de qualquer terapeuta da fala português!

29/06/2016

10 Perguntas para Fazer ao Seu Terapeuta da Fala


Destinatários: público, pais, familiares e cuidadores.


Quando procurar um terapeuta da fala, para si ou para um familiar, é natural que surjam algumas questões. Este profissional é especialista em questões relacionadas com a comunicação humana e pode ajudar a recuperar as funções relacionadas com a fala e linguagem, tanto quanto possível.

A motivação e a vontade do paciente são peças fundamentais no processo de recuperação.
No caso de procurar ajuda para um familiar, o seu papel deve ser activo e de colaboração! Ao participar nas sessões terapêuticas poderá aprender estratégias e actividades para fazer com que os resultados apareçam mais rápido e melhores. Nunca se esqueça que estamos todos a falar de comunicação - por isso, é importante que todas as pessoas que interajam consigo ou com o seu familiar estejam em sintonia para que as mensagens verbais sejam transmitidas e recebidas da melhor forma possível.

É muito importante garantir que quem está a ser tratado compreenda claramente o problema que tem, assim como os objectivos da terapia. Nunca fique com dúvidas para si ou para outras pessoas -  o terapeuta da fala é a melhor pessoa para lhe responder sobre o seu próprio trabalho! Não fique envergonhado se tiver de escrever essas questões para ter a certeza de que se lembra delas no dia da consulta.

Apresento, em baixo, 10 perguntas que pode fazer ao Terapeuta da Fala:

1. Quais serão os maiores desafios comunicativos?

2. Já trabalhou com outras pessoas com o mesmo tipo de problema?

3. Trabalha em equipa? Que membros fazem parte da equipa?

4. Quais são os objectivos realistas para a terapia, agora e no futuro?

5. Como é que a terapia ajudará a atingir esses objectivos?

6. O que é que cada um de nós pode fazer para ajudar?

7. Que estratégias podemos adoptar para melhorar a comunicação?

8. Um dispositivo de comunicação pode ajudar? Se sim, teremos de falar com um especialista em comunicação aumentativa e alternativa?

9. Existem alguns recursos que aconselhe, tais como grupos de suporte?

10. Se tivermos mais questões, como o podemos contactar?


Baseado no artigo: http://inhealth.cnn.com/article/10-questions-to-ask-your-speech-pathologist

05/04/2016

10 Tópicos de Conversa para Crianças e Adultos

Nas nossas intervenções precisamos, muitas vezes, de tópicos de conversa!
Seja para treinar articulação ou implementar um padrão vocal novo, queremos é que falem.
Devemos evitar assuntos sensíveis tais como política, educação e outros!
Se optar por perguntas, prefira perguntas abertas para dar oportunidade ao utente de falar.
Deixo-vos 10 tópicos para que estes momentos sejam mais divertidos e significativos.

CRIANÇAS
1. História sem fim
É uma as minhas actividades favoritas e que uso com diversos objectivos. Depois de fazer o pim-pam-pum e escolher quem começa, cada um inventa a sua frase na sequência da anterior! Aviso: a criança vai querer que mude algumas das suas frases - não deixe, ou perde a piada!!
2. Perguntas parvas
Experimente fazer perguntas parvas e veja as respostas divertidas. Porque é que existem estações do ano? O teu cão é inteligente? Como ensinarias o teu gato a falar?
3. Namorados!
Já descobri que as crianças podem ter um número de namorados que varia entre 1 e 5. Nem vale a pena dar sugestões para este tópico! Ahahahah
4. Complicados
Há meninos que nos surpreendem com os seus conhecimentos e, por isso, podemos conversar sobre algo mais elaborado. Como vês as horas num relógio solar? Quais são as palavras mais difíceis que conheces? O que fazes para parecer inocente?
5. Épocas festivas
É quase obrigatório. E, se não lhe perguntar, ela conta na mesma! Surpreenda-se com as prendas que vão ao Pai Natal ou com o que fizeram de mais divertido nas férias de verão.


ADULTOS
1. Tecnologia
A maioria das pessoas têm um tablet, telemóvel ou computador. Quer seja debater o melhor sistema operativo ou perguntar o que mais ou menos gosta no equipamento, é sempre um assunto natural e fácil!
2. Carros
Sim, apesar de alguns não terem, a maioria terá. Experimente perguntar qual foi o seu melhor carro ou como teve o seu primeiro!
3. Ocupações/Hobbies
É um clássico, mas sempre útil. Pode sempre variar e contar os seus, esperando comentários da outra pessoa.
4. Viagens
Quer seja no estrangeiro ou no próprio país, todos nós já o fizemos. É um tema que, habitualmente, as pessoas gostam de explorar e nunca se cansam de contar.
5. Filhos e Família
Tenha cuidado ao explorar este tema para não se intrometer na vida do paciente! No entanto, é sempre agradável falar das conquistas dos filhos ou desabafar sobre alguma situação que o esteja a preocupar.

08/03/2016

À conversa com... Drª Adelaide Dias, Terapeuta da Fala

A Drª Adelaide Dias aceitou o desafio d'O Sítio da Fala e respondeu a algumas questões sobre o seu percurso profissional. É terapeuta da fala, Mestre em Bioética especializada em perturbações neurológicas do adulto, sobretudo disfagia orofaríngea (ver resumo curricular no final). Para além disso, tem uma experiência clínica invejável!
Aqui fica o seu testemunho.

Pedro - Como é que tudo começou? Coincidência ou propósito?

Adelaide - Quando pensei em concorrer para o curso de Terapia da fala foi como uma alternativa. A minha primeira opção seria Medicina e a segunda a Terapia da Fala. Se foi coincidência ou de propósito, francamente não sei bem responder. Se por um lado sabia que não apresentava critérios para ingressar em Medicina e como tal, a minha segunda opção seria então perfeitamente assumida e consciente, por outro pensava eu, naquela fase, que Terapia da Fala era sinónimo de terapia vocal. Por isso, posso dizer que o meu percurso ou o início do mesmo foi um misto de consciência e de desconhecimento. Poderia ter sido uma tomada de decisão confusa, mas na realidade fiquei bastante feliz quando ingressei neste curso e muito mais ao longo do mesmo, quando finalmente entendi o que era a terapia da fala.

A minha verdadeira “missão e paixão profissional” revelou-se estar muito longe daquilo que eu inicialmente imaginei e desde cedo entendi que o meu caminho seria a intervenção com adultos e mais tarde apaixonei-me pela área da neurologia, nomeadamente pelas alterações da deglutição que daí derivam. E como nestas coisas não há coincidências, posso dizer que fui eficaz até hoje, na concretização feliz desta minha preferência.
Depois de terminar a minha licenciatura, optei de imediato por ingressar num mestrado (Bioética pela FMUP) e neste caso, sim, foi totalmente consciente e primeira opção. Já nesta fase sentia a necessidade de saber mais e além da terapia da fala, posso dizer-te que foi um ganho estrondoso e ainda hoje recordo este mestrado como essencial no meu percurso. A minha especialização em disfagia orofaríngea seguida de estágio profissional de duração de 1 mês no Brasil, foi mais uma decisão propositada que teve muito impacto na qualidade da minha intervenção. A minha passagem por inúmeras instituições em São Paulo tornou o meu dia-a-dia profissional mais interessante, motivante e eficaz.


P - Como é o teu dia-a-dia profissional?

A - O meu dia-a-dia profissional é uma verdadeira “aventura”, isto é, nunca sei com o que vou contar. Como sabes a minha prática principal decorre em contexto hospitalar, como membro integrante de um serviço de MFR. Se por um lado tenho um agendamento com os meus clientes de ambulatório, por outro tenho todos os utentes de internamento que poderão ser os já previstos ou não, já que algum/alguns podem surgir como urgentes. 
A minha escolha em especializar-me em DOF trouxe-me a necessidade de me adaptar mais, agilizar mais e rotinizar menos. A flexibilidade profissional é maior característica do meu dia-a-dia, posso atuar em gabinete, em contexto de enfermaria ou em consulta de deglutição, em parceria com o serviço de ORL. 
Além desta dinâmica hospitalar, tenho ainda à minha responsabilidade a Coordenação de duas pós-graduações e um curso em disfagia orofaríngea, assim como exerço funções de formadora nesta área.

P - Imaginas a tua vida sem a Terapia da Fala?
A - Boa pergunta! Honestamente, imagino! E imagino-a tão boa quanto agora.
Passo a explicar, a Terapia da fala sempre assumiu um papel de muita relevância na minha vida, isto porque se sou terapeuta e se essa foi a minha opção, terei de o fazer na melhor das minhas capacidades. Contudo, penso desta forma em qualquer área da vida e por isso, se não fosse terapeuta da fala julgo que seria outra coisa e com a mesma motivação intrínseca. Embora ser terapeuta seja uma das principais marcas da minha imagem, considero que tal não ME caracteriza por si só e como tal, imagino que a minha vida fosse completamente diferente, mas igualmente desafiante.

P - Gostavas de fazer algo que não faças?
A - SIM! Mas essa é a característica essencial da minha personalidade: eu vou gostar sempre de fazer algo que não faço ainda! Nem que seja pela quebra de rotina. Seja relacionado com TF ou não. Tenho pensado muito em fazer algo “fora da caixa”, algo que me possa ajudar como terapeuta, mas que não seja terapia propriamente dita. Mas ainda estou a amadurecer esta ideia…


P - Ao longo da nossa carreira acompanhamos pessoas que nos marcam. Qual foi o caso que mais te marcou?

A - Pergunta difícil desta vez. Pode parecer “resposta feita”, mas todos me marcaram à sua maneira. 
Posso talvez dizer que os casos que correm menos bem ou abaixo das minhas expetativas são os que marcam mais. Principalmente pelo aspeto de aprendizagem e de mudança que obrigatoriamente acarretam.
Não posso dizer que tenha uma história bonita para contar, tenho várias, mas posso dizer-te que as histórias menos bonitas talvez tenham sido as que me direcionaram mais no meu caminho como TF. Existem sempre aqueles clientes que nos fazem pensar, querer mudar, aqueles que nos mantêm com os “pés bem assentes” na terra e que nos mostram aquilo que somos como profissionais e como equipas de saúde.


P - E para a frente? Quais são os projetos?

A - Mais uma pergunta que me deixa a pensar… sabes que me tenho sentido como “alguém sempre em projetos”… assumo que esta é uma fase de muitas ideias, mas de menos concretizações.

Em 2013/14 estive muito envolvida na coordenação científica de pós-graduações e formação juntamente com a equipa Instituto CRIAP. Em 2015 fiz mais um estágio na área da deglutição, desta vez na UC Davis de Sacramento (EUA), finalizei uma certificação (Lee Silverman) e iniciei outra (PROMPT) e portanto, 2016 começa com a vontade em refletir e entender quais as melhores opções a partir de agora. Com mais alguma maturidade entendi que realmente “mais não é melhor” e que efetivamente “ser é melhor que parecer” e que o tempo de pausa é tão ou mais importante do que o tempo de ação. Assim sendo, ideias e projetos são muitos, qual deles irei escolher a seguir? Não sei! Contudo, sei que irá de encontro à minha própria formação e desenvolvimento pessoal e profissional. Não me vejo a estar constantemente a ensinar sem nunca aprender.
Afinal talvez agora te saiba responder: próximo projeto – aprender mais de forma a tornar a minha atividade como formadora cada vez mais prática e eficaz! Interessa-me particularmente estudar formas de ensinar que não as mais tradicionais…sim, esse são talvez um dos meus “roteiros”/projetos futuros.

Queria aproveitar ainda para te agradecer esta entrevista, principalmente porque me permitiu, pela sua conceção, falar-te de aspetos que vão além da TF. Parabéns pelo teu blog, venham mais iniciativas assim!


Resumo curricular:
  • Adelaide Dias é Terapeuta da Fala na U.L.S. Matosinhos – Hospital de Pedro Hispano, Serviço de MFR e colaboradora ativa na consulta de deglutição do serviço de ORL.
  • Licenciada em Terapia da Fala pela Escola Superior de Tecnologias e Saúde do Porto, 2001
  • Mestre em Bioética pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, 2008; Pós-Graduada em Disfagias Orofaríngeas pelo Instituto Superior de Saúde do Alto Ave, 2010.
  • Experiência em Disfagia Orofaríngea Neurológica (Hospitalar) e em perturbações neurológicas da comunicação no adulto desde 2003.
  • Formadora ativa em Disfagia Orofaríngea desde 2008. Formadora Certificada desde 2003. 
  • Coordenadora Científica das Pós-Graduações em “Perturbações Neurológicas da Comunicação no Adulto” e “Terapia da Fala em Contextos de Saúde: Interface Voz/MOF/Deglutição” pelo Instituto CRIAP. 
  • Orientadora de estágios curriculares desde2005.
  • Realizou estágios internacionais em Disfagia Orofaríngea em 2011 (diversas instituições de saúde em São Paulo, Brasil) e em 2015 (UC Davis, Sacramento, EUA, Departamento de Voz e Deglutição).
  • Certificada no método Lee Silverman e com certificação a decorrer no método PROMPT. 
  • Perfil LinkedIn

06/03/2016

12 Testes de Avaliação da Linguagem para Crianças e Adultos

Hoje apresento-vos uma compilação dos testes de avaliação da linguagem que existem para o Português Europeu. É indiscutível a necessidade clínica de instrumentos precisos para caracterizar as competências do indivíduo e, dessa forma, definir e monitorizar a intervenção.
Apesar de existirem mais testes, os que aqui sugiro são aqueles que apresentam dados normativos para a população portuguesa - à excepção dos dois últimos.
Peço aos leitores que conheçam outros para os mencionar nos comentários.




Idades Tempo de aplicação Áreas e competências Normas
1. TALC 2:6 a 6 anos 30 a 45 minutos Semântica, morfossintaxe, pragmática
2. TICL 4 a 6 anos 45 minutos Léxico, mofossintaxe, memória auditiva, metapragmática Equivalências entre os Resultados Brutos obtidos nas 4 áreas e níveis de mestria
3. GOL-E 5:7 a 10 anos 30 minutos Semântica, morfossintaxe, fonologia resultados médios e distribuição percentílica por faixa etária
4. TL-ALPE 3 a 6 anos
Compreensão auditiva, expressão verbal oral, metalinguagem
5. ALO 4 a 9 anos
Léxico, sintaxe, fonologia
6. PALPA +5 anos até adultos variável Processamento fonológico; leitura e escrita; semântica Dados estatísticos por prova e em função dos diferentes grupos etários e níveis de escolaridade
7. TAS 7 aos 13:11 anos 30 minutos Relações sintagmáticas, campo lexical, sinonímia, antonímia, paronímia Resultados médios para cada prova e resultados médios totais por da faixa etária; distribuição percentílica por faixa etária
8. PLINC +40 anos 20 minutos Compreensão e expressão Valores médios de desempenho e tempo por faixa etária; resultados médios em função da escolaridade
9. BPF

Consciência fonológica
10. PARAFASIA Crianças e adultos variável Avaliação e e intervenção em perturbações da linguagem (afasia)
11. PEABODY 2:6 a 90 anos 10-20 minutos Aptidão verbal e vocabulário Resultados QI; tabela de normas por grupo etário; equivalências entre os resultados brutos e a idade-teste
12. REYNELL 15 meses a 7:6 anos 30-40 minutos Compreensão e expressão

02/03/2016

Aplicações (Apps) para Terapia da Fala

São inúmeras as aplicações que se podem usar em contexto de Terapia da Fala. As que não são dedicadas às nossas áreas de trabalho, podem bem ser aproveitadas. Em relação a outros países temos consideravelmente menos quantidade, sobretudo porque somos poucos. Ao seleccionarmos uma aplicação devemos ter em atenção se não é em Português do Brasil, uma vez que há variações que os nossos clientes não perceberão e poderão, eventualmente, ser contraproducentes.

Para além disso, as aplicações de comunicação aumentativa e alternativa tinham (e têm) uma grande limitação - muitas não têm uma fala sintetizada para o português europeu e, se têm, é de uma mulher ou homem, ambos adultos. Assim, devemos preferir aquelas que permitem a gravação de clipes de áudio, em detrimento da fala sintetizada - podemos pedira a voz emprestada a alguém!

Na minha prática uso o tablet de três formas diferentes: deixo a criança manipular a aplicação de forma mais ou menos independente; apenas para apresentação de estímulos visuais ou auditivos; com carácter de prescrição - para que o cliente use ou pratique em casa.

Tive o meu primeiro tablet em 2010 - o iPad (1st gen). Inicialmente usei-o com alguma regularidade mas deixou de ser muito prático, sobretudo por causa da limitação da língua; para além disso, em pouco tempo, deixou de ser compatível com novas aplicações. Actualmente tenho um Asus ZenPad 10, que corre o Android 5 (Lollipop). Se comprarem um equipamento com o propósito de ser usado na terapia, aconselho um tamanho de ecrã generoso - 10" é o ideal. Fica ainda o link para um artigo da ASHA.

Apresento-vos algumas aplicações da minha eleição, organizadas por área de intervenção. Peço aos leitores que conhecerem outras, que as sugiram nos comentários.

Articulação e fonologia
GameFono (versão experimental limitada) - Android
Falar a Brincar (gratuita) - Android
Palavras aos bocadinhos (versão experimental limitada) - Android | iOS
Sounds of speech (pago) - Android | iOS

Leitura e escrita
Aventura das palavras (gratuito) - Android

Competências pré-linguísticas
Talking Tom (versão gratuita com publicidade) - Android | iOS

Comunicação aumentativa e alternativa
TICO4Android (gratuito) - Android
Vox4All (versão experimental limitada) - Android | iOS
Sono Flex (versão experimental limitada) - iOS
MyTalk (versão experimental limitada) - Android | iOS
Grid Player (gratuito) - iOS
GoTalk Now (versão experimental limitada) - iOS


Fluência
DAF Professional (versão experimental limitada) - Android | iOS
Metronome Beats (versão gratuita com publicidade) - Android

Voz
OperaVox (versão gratuita limitada) - iOS

Outras
BabyPlayFace - Android | iOS
Toca Kitchen - Android | iOS
Toca Hair Salon - Android | iOS



24/02/2016

A música como estratégia na Terapia da Fala

São fundamentais todas as actividades que venham tornar a intervenção do terapeuta da fala mais lúdica, divertida e, acima de tudo, com significado para a criança. Algumas, sobejamente conhecidas, são aplicadas com muita frequência - são disso exemplo os jogos de tabuleiro ou outros que permitem tornar menos formais as tarefas que devem ser apresentadas às crianças.
Na selecção destas actividades incorremos, por vezes, no erro de tornar a sessão menos produtiva e, por isso, talvez eu seja tão pouco apologista e utilizador de jogos da glória, do peixinho e outros. Portanto, serão boas mas sempre na boa conta peso e medida. Momentos existem, com certeza, em que não temos outro remédio - a criança colabora menos, é muito pequena ou por outros motivos.
A necessidade de surgirem novas abordagens e contextos de intervenção é ainda maior em clientes que são acompanhados a longo prazo e, por vezes, com múltiplas terapias por semana. É bem conhecido o cansaço e saturação a que estes meninos e meninas chegam ao fim de algum tempo - é um facto.
Se me perguntarem: não tenho nenhum curso em terapia musical, nem coisa parecida. Mas tenho imaginação e, por acaso, toco guitarra portuguesa e viola. É mesmo disso que venho falar hoje. Ás vezes levo comigo um destes instrumentos para o gabinete e é sempre curioso, enquanto fazemos uma pausa, mostrá-los aos miúdos - querem sempre explorar e "tocar um bocado".

Ao longo dos anos fui criando algumas actividades. Não sei se são originais, mas nunca as vi apresentadas em lado nenhum, por isso, aqui vão.

-Xilofone: talvez tenha sido a primeira experiência. O meu xilofone é colorido e tem as notas musicais escritas. Durante a avaliação ou intervenção pode ser pedido à criança que reproduza uma sequência mais ou menos simples apresentada previamente por nós (memória auditiva e visual).


-Guitarra: este é talvez a ferramenta mais divertida de todas. A automatização de fonemas pressupõe o treino hierárquico, sendo que um deles deve ser o discurso dirigido - porque não a cantar? Podemos utilizar músicas simples acompanhadas à guitarra (eg. Atirei o pau ao gato, Papagaio loiro, etc). Para além disso podemos usar essas músicas com outros objectivos, como por exemplo, memória auditiva.

-Metrónomo: apesar de ser usado sobretudo nas perturbações da fluência (eg. gaguez), pode também ser usado noutras situações, como por exemplo em perturbações motoras da fala ou alterações da motricidade oral - algumas tarefas práticas passam pela repetição de unidades linguísticas (eg. sílabas) de uma forma ritmada, mais ou menos rápida. Uso a aplicação Metronome Beats.

Fica aqui o link de um Cancioneiro da Universidade do Minho com canções infantis portuguesas.

São algumas sugestões práticas para modificar as rotinas dos nossos meninos