24/02/2016

A música como estratégia na Terapia da Fala

São fundamentais todas as actividades que venham tornar a intervenção do terapeuta da fala mais lúdica, divertida e, acima de tudo, com significado para a criança. Algumas, sobejamente conhecidas, são aplicadas com muita frequência - são disso exemplo os jogos de tabuleiro ou outros que permitem tornar menos formais as tarefas que devem ser apresentadas às crianças.
Na selecção destas actividades incorremos, por vezes, no erro de tornar a sessão menos produtiva e, por isso, talvez eu seja tão pouco apologista e utilizador de jogos da glória, do peixinho e outros. Portanto, serão boas mas sempre na boa conta peso e medida. Momentos existem, com certeza, em que não temos outro remédio - a criança colabora menos, é muito pequena ou por outros motivos.
A necessidade de surgirem novas abordagens e contextos de intervenção é ainda maior em clientes que são acompanhados a longo prazo e, por vezes, com múltiplas terapias por semana. É bem conhecido o cansaço e saturação a que estes meninos e meninas chegam ao fim de algum tempo - é um facto.
Se me perguntarem: não tenho nenhum curso em terapia musical, nem coisa parecida. Mas tenho imaginação e, por acaso, toco guitarra portuguesa e viola. É mesmo disso que venho falar hoje. Ás vezes levo comigo um destes instrumentos para o gabinete e é sempre curioso, enquanto fazemos uma pausa, mostrá-los aos miúdos - querem sempre explorar e "tocar um bocado".

Ao longo dos anos fui criando algumas actividades. Não sei se são originais, mas nunca as vi apresentadas em lado nenhum, por isso, aqui vão.

-Xilofone: talvez tenha sido a primeira experiência. O meu xilofone é colorido e tem as notas musicais escritas. Durante a avaliação ou intervenção pode ser pedido à criança que reproduza uma sequência mais ou menos simples apresentada previamente por nós (memória auditiva e visual).


-Guitarra: este é talvez a ferramenta mais divertida de todas. A automatização de fonemas pressupõe o treino hierárquico, sendo que um deles deve ser o discurso dirigido - porque não a cantar? Podemos utilizar músicas simples acompanhadas à guitarra (eg. Atirei o pau ao gato, Papagaio loiro, etc). Para além disso podemos usar essas músicas com outros objectivos, como por exemplo, memória auditiva.

-Metrónomo: apesar de ser usado sobretudo nas perturbações da fluência (eg. gaguez), pode também ser usado noutras situações, como por exemplo em perturbações motoras da fala ou alterações da motricidade oral - algumas tarefas práticas passam pela repetição de unidades linguísticas (eg. sílabas) de uma forma ritmada, mais ou menos rápida. Uso a aplicação Metronome Beats.

Fica aqui o link de um Cancioneiro da Universidade do Minho com canções infantis portuguesas.

São algumas sugestões práticas para modificar as rotinas dos nossos meninos

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